Renato Dionísio

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SOBRE O PRINCÍPIO DA IGUALDADE NOS PROCESSOS ELEITORAIS

05/11/2009 · Deixe um comentário

Quem acompanhou o processo movido pela coligação que apoiou a hoje governadora Roseana Sarney,  impetrado no Tribunal Superior Eleitoral, contra a diplomação e posse do governador DR Jackson Lago, e seu vice Pastor Porto, legitimamente eleitos pelo povo do Maranhão. Se quiser pense! Naquele procedimento, argumentam os querelantes, entre outras condutas tipificadas como crime, o desrespeito ao princípio da igualdade entre os competidores, nas eleições de 2006.

Não é, quero patentear, nosso objetivo neste texto, discorrer sobre a justeza ou não das alegações, muito menos a coerência dos julgados, e menos ainda a isenção dos julgadores, o que nos move, espero ser claro, é o desejo de refletirmos que conseqüência tem, teve ou terá, àquela fática decisão, sobre eleições do próximo ano em nosso Estado.

Categoricamente professamos, só pode oferecer vantagem quem delas é possuidor, a ser verdadeira esta afirmativa, há que se perguntar? Quem dos competidores pode oferecer mais?  Quem a olhos nus, por sua própria força, oferece mais garantia no cumprimento de eventuais acordos?  Que história de vida e conduta pessoal dos litigantes permite supor a aceitação destas práticas.

As eleições do ano que vem, escolherão o presidente os governadores  os senadores e os deputados, e temos de admitir, de tão grandioso o certame, fica difícil sua fiscalização e controle por parte daqueles que têm o direito e a obrigação de zelar pela lisura de todo o processo competitivo.

Sabemos que a aplicação do direito, embora normatizado, inclui por sua natureza, muito de interpretação, é exatamente aí que mora o perigo, pois mesmo que para efeito desta dissertação, e apenas para este fim, todos os aplicadores do direito exerçam seu mister com a maior retidão, ainda assim, pode acontecer julgados divergentes para o mesmo caso concreto. Se pensarmos na falta de retidão do julgador, aí então será uma catástrofe.

Sinceramente, responda. Olhando o caso do Maranhão, é possível imaginarmos um cenário de igualdade? Claro que não! Uma vês que um dos prováveis competidores, a governadora Roseana, controla o governo do Estado, todas as representações do governo federal, os meios de comunicação de massa,  grande parte dos meios de produção de riquezas em contra partida os outros pouco ou nada têm diante de tanta exuberância.

Temos inclusive de questionar  se a decisão prolatada pelo ministro Aires Brito em nome do TSE  não contem no seu  âmago, num local de difícil descoberta, uma decisão de desequilibrar as eleições do próximo ano no Maranhão. Sinceramente acreditamos que sim.

Se a história política que vivenciamos não tivesse sido golpeada teríamos hoje o DR Jackson controlando o governo do estado e a oligarquia as representações do governo federal e demais instrumentos de poder. Ferida a ordem natural, houve em conseqüência deste fato, a fuga da vantagem de ter o controle da maquina estadual das mãos do cassado, para o controle de seus adversários.

Desta forma, independente de qualquer juízo de valor a cerca da justeza do ato jurídico, temos que reconhecer que houve a partir desta decisão, pode até argumentarem, não ser esta a intenção de tão preclara corte, isto podem, sobretudo os legalistas, porem ninquém em bom senso pode afirmar que o TSE não desequilibrou as eleições a favor de uma candidatura.

Da mesma forma, é inadmissível que a corte eleitoral, através de sua representação estadual, o TRE, em cuja guarda estará o destino desta peleja, possa sobre nenhuma alegação ser  comandado, como no presente caso, pela tia de uma dos competidores,Que  deste agora, julga aliados ou não das oposições,  reporto-me ao caso de vários prefeitos,  e esperamos,  em nenhum dos casos concretos, pensando nas eleições de 2010.

Não somos ingênuos  de pensar na possibilidade da existência em nosso país de uma eleição igualitária, visto serem desiguais os competidores.  Qualquer brasileiro em gozo de seus direitos políticos pode ser candidato, sendo ou não possuidor de fortuna, qualquer que seja o seu credo, cor ou posição social, basta que esteja regularmente inscrito em um dos muitos partidos existentes.

Evidente que pelo ineditismo, por não haver disponível no Brasil, julgado similar, onde dois adversários se enfrentaram, e depois de cassado o vencedor, voltarão a fazê-lo, graças ao instituto da reeleição, e agora em condições totalmente contrárias as estabelecidas quando do primeiro embate. Necessário informar, esta diferenciação é até aceitável, quando natural, porem inaceitável, quando este desequilíbrio  foi patrocinada pela corte que em ultima análise tem a obrigação de pugnar pela sua igualdade.

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UM BOM PROJETO DE LEI

05/11/2009 · Deixe um comentário

O homem, por ser um animal gregário, cultivou sempre a idéia de convivência grupal. Tornar os homens mais próximos torná-los da mesma tribo e quem sabe, até da mesma família, a idéia de próximo, até no evangelho, quer significar ser irmão, participar dos mesmos valores, ter ou estabelecer conversação na busca do entendimento.

Em épocas remotas, os indígenas através de sinais de fumaça mandavam  mensagens. O desenvolvimento tecnológico  possibilitou, hoje sabemos, ao italiano Antonio Meuce, em 1856, a descoberta do telefone. Nascia a comunicação a distancia. Aquele acontecimento e seu permanente desdobramento representaram um considerável avanço em todas as áreas da comunicação e transmissão de dados, quer seja através de fios, fibra ótica ou satélite. O planeta como por encanto começou a ficar pequeno.

Os permanentes investimentos em tecnologia desaguaram nas  maravilhas  atuais. Os modernos aparelhos de celular podem quase tudo, proporcionam ao seu proprietário comunicação com quem este deseje, esteja seu interlocutor  em qualquer lugar do planeta. Eficientes secretárias mandam e recebem EMAILS, transmitem e recebem dados, mensagens e fotografias. Controlam saldos bancários. Compram e pagam em qualquer shopping  do mundo.  E são uma eficiente ferramenta de entretenimento, com os próprios jogos ou  através deste mundo fantástico da internet. É espantoso! Não É. parece o mundo do faz de conta?

Todo este fascinante mundo, não pode ficar fora do controle da sociedade. O Estado tem que fiscalizar e produzir normas, padrões tecnológicos e comerciais aplicáveis as empresas operadoras. Cabe à ANATEL esta fiscalização, através de suas representações em todas as unidades federativas.  Recentemente, a guisa de exemplo, o Governo acabou com a portabilidade, que funcionava como prisão para os usuários.

Este ordenamento legal, a nossa juízo, implica na adoção de medidas  que ofereçam  maior transparência, não apenas para o sistema, mais  sobretudo para seus usuários, uma delas, não temos dúvidas, seria a obrigatoriedade da implantação em todos os telefones em uso no Brasil, de um sistema de medição semelhante aos utilizados  nos medidores de água e energia,  e não me venham dizer que isto é difícil, sobretudo se olharmos o potencial e a complexidade do celular e dos outros medidores.

Claro que supomos que o quilohertz tem custo diferenciado de região para região. Também imaginamos que o M³ de água, no sul custa um valor e no norte outro. Estes valores são verdadeiras caixas de pandora. Deles, nós consumidores, não tomamos conhecimento.

Somos daqueles que professa a liberdade de mercado, a inexistência de barreiras protecionistas e o mais amplo direito de concorrência. Desta forma, pode perfeitamente existir duas ou mais operadoras, executando o mesmo serviço, com tarifas diferenciadas. Assim a qualidade e o preço regulariam o mercado.

O que vemos hoje, é um verdadeiro samba do crioulo doido, liga-se o aparelho de TV, estar lá o vendedor oferecendo planos em minutos, que nem você pode garantir que efetivamente usará, pois não tem  forma de controle,  muito menos, que o preço final do serviço, será o que agora se oferece. É fundamental oferecer confiabilidade ao sistema.

Não pode ser aceitável, o argumento segundo o qual é de difícil execução a tarefa de dotar os  aparelhos de telefonia de um dispositivo deste. Caso seja adotada esta sugestão, todo final de mês ou data pré- estabelecida, bastaria o usuário através de um cabo USB conectado a qualquer PC, extrair o seu consumo,  sua conta discriminada ligação por ligação, para ser comparada com a emitida pelas operadoras. .

Da forma atual, resta ao consumidor o direito de reclamar apenas da qualidade do serviço, jamais do preço, pois o estado deu irresponsavelmente, em seu nome e no nome de todos os  brasileiros,  às operadoras, o direito de serem, ao mesmo tempo, nossas algozes e juízas nesta relação de consumo, negando-nos por conseguinte o elementar direito ao contraditório. Nada podemos provar com relação a nossa conta telefônica.

É fundamental o pleno conhecimento destes custos pela sociedade , como no caso do petróleo que fica cotado nas bolsas, ninguém é obrigado a comprar ou vender por aquele  preço, ele tem caráter orientativo. Se o cidadão tivesse, com relação aos serviços essenciais,  água, luz,  e telefone,  a sua disposição estas ferramentas, com toda certeza estaria menos vulnerável.

Por fim, estabelecer padrões de custos e preços, não seria segundo nosso modesto entendimento, uma forma de engessar a economia, seria mais uma atividade do planejamento do país a incentivar que as diversas operadoras de serviço publico, buscassem a excelência operacional pela organização e uma ferramenta eficaz na defesa dos cidadãos.

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IMPUNIDADE

18/08/2009 · Deixe um comentário

Tendo como pano de fundo a crise no senado da república, vejo-me as voltas com o conceito de impunidade que segundo o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda Ferreira significa: -estado de impune- ou seja, o estado em que alguém pode se encontrar (por ter escapado da punição) ou ainda relativo ao sujeito que não foi punido.  .

Em nosso ordenamento jurídico nos deparamos a todo instante com os conceitos de punibilidade e impunibilidade. Como decorrentes do conceito de punição temos a justa noção de quais transgressores são imputáveis,- àqueles que podem é devem ser apenados-, bem como, dos inimputáveis,- juridicamente falando,-são os possuidores de situações especialíssimas que os tornam incapazes de arcarem com o ônus da pena-. Em oposição a isto, temos a impunibilidade que abraça todos que por não terem cometido ilícito de qualquer natureza não mereçam sanção.

Finalmente, como apêndice deletéria da punibilidade temos esta deformação jurídica chamada impunidade. São duas as formas sobre as quais se apresenta: A de fato. E a de direito. No primeiro caso existe a condenação, no entanto, o Estado não conduz o delinqüente ao castigo pela fuga deste, ou pela incapacidade de conduzi-lo a punição. No segundo caso, por meio de previsão legal, através do perdão ou do indulto que remiu da reprimenda o infrator.

Contrário a previsão legal temos a impunidade moral que advém do fato de determinados agentes que por se acharem acima do bem e do mal, não querem ou não vão ao balcão jurisdicional, entendem que tudo podem. Este comportamento é uma deformação moral e devemos lutar, todos, para varrer esta prática e os seus praticantes do convívio social. Esta impunidade é a mãe se não de todas, mas certamente de grande parte das injustiças sociais.

È de se ressaltar, serem Estes conceitos, filosoficamente falando, originários da idéia de pena e castigo, fundamentais para a construção de qualquer sistema legal, desde que vivendo o estado democrático de direito, e basilares para a fundamentação da pretensão punitiva do Estado

O caso do senado salvo melhor ou pior interpretação não existe nenhum inimputável, todos estão ou deveriam estar em seus perfeitos sensos de dever e responsabilidades e devem a sociedade explicações dos seus atos e atitudes. É também verdade que grande parte dos ocupantes daquela casa são impuníveis, pois não cometeram ilícito algum, não há como conseqüência o que punir. São inocentes. Entretanto, devém sim, o povo, os senadores a imprensa fiscalizarem, investigarem, fazer CPI e tudo mais que for necessário. Só assim. E somente assim. Depois do devido processo legal com o mais amplo direito a produção de provas, e o irrestrito direito de defesa, provado ficar a culpa de qualquer dos ocupantes daquela casa, não importa qual seja sua idade, de qual Estado seja representante, qualquer que seja o cargo que tenha ocupado ou ocupe na mesa diretora. O país cobra a exemplar punição do ou dos transgressores, Independentemente de sua biografia ou do seu passado. Tudo isto, para fazer valer o brocado, segundo o qual somos todos iguais perante a lei.

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MODUS OPERANDI

18/08/2009 · Deixe um comentário

O Brasil assiste estupefato, na recente crise do Senado da republica, às ameaças proferidas pelo senador Renan Calheiros, líder do PMDB, contra toda bancada do PSDB com acento naquela casa, e não são feitas de forma sub-reptícias, pelo contrario, são alardeadas, publicadas na chamada grande imprensa, jogadas na cara da população de forma cínica e provocativa, diz aquele, para o senador tucano- SERGIO GUERRA –presidente do partido da social democracia -VAI TER TROCO-.Ora seu Calheiros , vai ter troco contra quem? seguramente não será contra o povo!  este não aceita chantagem, e nem tem razões para temer,no máximo paga, mesmo a contra gosto, a conta dos desacertos e irresponsabilidades cometidas por aquela casa senatorial.

Para quem dirige sua metralhadora giratória o cangaceiro das Alagoas? Quem tem, com aquele, contas a ajustar? Será a totalidade dos membros daquela casa? Ou que porção dela? Embora não possamos responder acertadamente estas perguntas, nos permitimos, apenas como puro exercício mental, sugerir algumas possibilidades: seriam seus alvos os mensaleiros que não foram alcançados e punidos no escândalo que varreu para debaixo do tapete o agora ameaçador. Ou ainda, os traficantes de influência, intermediadores de todo tipo de vantagens, portanto, controladores de boa parte da maquina federal

Estas ameaças são fruto somente da cabeça. do líder pmdebista ou são indicativas de um modo de agir, por anos, largamente usado para intimidar,calar ou arrefecer os ânimos de adversários. Será que através de uma análise mais apurada não e possível identificar o DNA de outros senadores, ou até mesmo, do presidente daquela casa, que para o meu espanto a grande imprensa diz conhecer somente agora, depois de 40 longos anos de insistentes e substanciosas denuncias dos maranhenses.

A ópera se repete, não sei se no Senado ou no Estado do Maranhão, pois aqui como lá, o senador da Bacabinha utiliza os mesmos métodos, só existe uma diferença. Na câmara alta do país ele se debate com gente do seu tamanho e envergadura, mais mesmo assim, chora barbaridade, acusa a grande imprensa e a inteligência nacional de orquestrarem uma campanha para derrubá-lo. Enquanto isto, em nosso Estado, onde ele e seus prepostos são donos de quase tudo, ordena a seus poderosos veículos de comunicação, espalhados por todo estado, que não descansem na elaboração de campanhas e mais campanhas midiáticas, cujo único objetivo é desacreditar e desmoralizar seus adversários, embora isto não o deixe limpo de suas sujeiras, acredita, ficará com o consolo de dizer, embora saiba não ser verdade, aos quatro cantos do mundo, que todos estão sujos.

Indicativo de nossos argumentos é a pregação diária do homem do bigode, contra os jornais de circulação nacional, segundo ele, aqueles meios de comunicação agem criminosamente ao divulgarem os passos dos incontáveis processos aos quais respondem Fernando Sarney e seus correlatos, diz ele, e o filho, que tais processos correm ou deveriam correr em segredo de justiça. No Maranhão entretanto, não pode existir sigilo processual, faço prova disto, citando a imoral divulgação feita, sobretudo nos veículos da família, dos arremedos de inquéritos  gestados  nos porões da “ GESTAPO” orientada  pelo trio- MURAD-CUTRIM-LOBO. Segundo  diz o deputado Edivaldo Holanda.

Agora mesmo somos vítimas, eu e tantos outros companheiros, que cometemos a ousadia de enfrentá-los seguindo os passos do maior líder democrático que os movimentos sociais, as lutas libertárias, e as organizações  sociais foram capazes de construir neste Estado, que é  o D: JACKSOM LAGO, líder inconteste na histórica e memorável campanha de 2006, que impôs àqueles que  se achavam donos deste pedaço do Brasil, sua primeira derrota, após quarenta longos anos de dominação.

Os processos forjados nos porões do sistema de segurança não serão capazes de calar nossa voz, muito menos de arrefecer nossos ânimos. As mentiras assacadas contra todos e exaustivamente repetidas através dos veículos de comunicação do sistema mentira, ao contrário do que pensam seus autores, aumentará em nós o desejo de por fim a estas iniquidades, fará do fraco o forte do tostão o milhão da palavra a pregação e serão  motivos para incentivar as lideranças independentes e  ao povo de nosso estado que  nos sigam.

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O MORTO VIVO

18/08/2009 · Deixe um comentário

Certa vez estava eu, o relógio marcava exatas vinte e três horas, no terminal de passageiros, já cansado, pretendia chegar em casa o mais rápido possível, nem percebi quando de mim se aproximou, parecia ter oitenta anos, não usava barbas, seu bigode no entanto,  extremamente bem cuidado, e as roupas limpas, lhe davam um aspecto bom. Foi  perguntando o meu nome, qual o meu destino, tentando, logo notei, estabelecer diálogo, permaneci sentado depois de respondê-lo, a minha atitude com certeza o incentivou a soltar a língua, incontinente perguntou se eu conhecia a estória do comandante Varney, como disse que não, sentou-se ao  meu lado, mexeu-se para tornar mais confortável o banco do abrigo.

Afirmou categoricamente, que este relato é a expressão da verdade do que ele próprio assistira, bem como, do que lhe contaram fontes acima de qualquer suspeita. Segundo contou,  passo a reproduzir fidedignamente. Disse-me. Defronte da baia de São José, provavelmente do lado do continente, confesso, não tive a curiosidade de perguntar, morou por anos a fim, o comandante Varney, homem extremamente astuto, e de uma inteligência admirável, saltava aos olhos a sua maneira de tratar com os marinheiros e com os aldeiões, quase nunca levantava a voz, ninguém mais ninguém mesmo, ousava lhe questionar, fosse novo ou velho, de quase todos tinha o respeito.

Exímio pescador, rapidamente dominou todas as técnicas de pescaria, melhor vendedor, logo deu aos peixes que vendia  qualidades e potencialidades inexistentes, tornou-se  rapidamente o maior produtor de pescados. Da noite para o dia sua frota pesqueira mais que triplicou. É verdade, um  tal de Pequenininho dizia abertamente na praça central da aldeia serem duvidosas suas fontes de riqueza. Não obstante o falador, aprendeu  rapidamente a negociar com os bancos, sobretudo os oficiais, aqueles controlados pelo governo,  para tal mister, tornou-se amigos de todos os que chegaram ao poder fossem Almirantes, Marechais ou Presidentes.

Dirigiu com mão de ferro, diretamente ou através de prepostos, por mais de meio século a aldeia Manhão,- (acreditava ser somente sua)-, tão logo consolidou sua dominação,  partiu para ganhar o continente, não sem antes, é bom que se diga,  fazer o dever de casa, que consistia, segundo o tal do pequenininho, em enriquecer a custa do empobrecimento de todos do lugar. Tornou-se grande proprietário de terras e inventou de colocar suas posses em seu próprio nome ou no nome de terceiros, provavelmente para não pagar impostos,dizem, não sei se é verdade, que um  de seus filhos andou enrolado com o cobrador de impostos e com a justiça. Embora sua atenção estivesse voltada para um objetivo maior, cuidou de treinar a família e os aliados para não arrefeceram nas práticas e métodos de subjugar, perseguindo sobretudo, àqueles que representassem qualquer  potencial de enfrentamento. Montou um serviço de alto-falantes através do qual se comunicava e exercia seu poder de mando. Na província, só através deste sistema se podia falar para todos.

Tentei interromper o relato, pediu-me de dedo na boca o meu silêncio, e continuou, disse que de jogada a jogada, o Sr:Varney   conseguiu   projeção no continente Barçal, não sem que os manhansés denunciassem seus métodos criminosos, ainda assim, pensavam aqueles, tratar-se de pura politiquice por parte dos nativos. Com expressão carregada disse o narrador! O poder que aquele homem tinha nas mãos era tanto, que os seus conterrâneos, ou pelo menos grande parte deles, diziam  só  se acabaria com sua morte física, era comum a idéia de que seu prestigio estava presente nos três poderes da nação.

Por ironia do destino, um descuido, uma confissão ouvida por quem não devia, fez  cessar seu poder antes do seu passamento, para desgosto de seus seguidores, o senhor Varney é pego vendendo peixe estragado como bom, este fato desencadeou  uma crise sem precedentes na história do conselho, que rapidamente atingiu todo reino. Contra ele se voltaram grande parte da imprensa, setores expressivos da inteligência e a grande maioria do populacho, razão pela qual foi insistentemente  pedida sua renúncia do conselho do reino. È, segundo seus inimigos, incompatível o exercício do cargo com as mazelas as quais  ele praticou, ou até mesmo, com as deformações morais que agora, alguns descobrem ser este possuidor.

Após incontáveis reuniões, em oposição a opinião pública que deseja sua renúncia, provavelmente incitado por maus conselheiros resolve ficar. Quer humilhar seus inimigos. Deseja tornar a nação do tamanho de sua província. Luta com todos que o sequem, agora só lhe resta a companhia dos piores, para fazer com que a nação se quede a seus pés.

Disse-me em tom professoral o velhinho. Este foi seu ato falho, não entendeu que era melhor ter saído quando alguns queriam que ficasse, que lutar para ficar quando ninguém deseja sua,dele presença. Ficou no cargo, é verdade, sem poder, sobremaneira aquele que vem da autoridade, do respeito. Não soube  a  hora de se recolher e guardar todo conceito que justo ou injustamente amealhou, e com certeza, jamais recolherá no saco de sua honra as coisas boas que acreditava guardar nem separará as ruins  que por ventura não lhe pertenciam.

Foi condenado pelas instituições  do reino, pelas  igrejas, por gigantescos setores da imprensa, pela esmagadora maioria da opinião pública e, segundo dizem, até  pelos serviçais do conselho, a ser um morto vivo, vai continuar vestido de conselheiro mais seus conselhos ninguém deseja. Estará ali mais não terá atenção. Nada de fotografias. Entrevistas? nem pensar! A não ser em seu serviço de alto-falantes. Dizem a boca miúda, que até no seu Manhão, onde provavelmente viverá seus últimos dias, será coberto pelo manto do  ostracismo, vagará sempre sozinho, até as gaivotas dele se afastarão, se por acaso, ainda lhe sobrar saúde ou força de vontade de como andarinho solitário percorrer as belas praias perto de sua morada

Tomo o ônibus, não sem antes me despedir, continuo pensando em toda estória,  mais o cansaço meu, inimigo de todas as noites me obriga a apressar o passo em direção a minha casa, deixarei para refletir amanhã, estou exausto, se você não estiver cansado, talvez  tenha capacidade de entender que PAÍS É ESTE.

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A MORTE

18/08/2009 · Deixe um comentário

Nos últimos dias recebo com tristeza a informação da morte de alguns amigos, e até, de muitos conhecidos, pessoas com as quais privei inesquecíveis momentos. Para poucos casos o privei está no sentido de privacidade, no entanto, para tantos outros a expressão significa convívio social. Os passamentos anunciados, referem-se,  na sua grande maioria, a gente do povo, daqueles que ao morrerem apenas os vizinhos mais próximos tomam conhecimento, no máximo um parente. Não são noticias nos jornais, não recebem aquelas grandiosas e coloridas coroas de flores, não são credores de notas fúnebres, muito menos, decreto de ponto facultativo. Numa porção bem pequena, outros são finados, cuja estada entre nós se revestiu de algum brilho e importância, e que, em função disto, recebem também, tal qual foi em vida, um tratamento diferenciado.

Confesso que por ter uma família relativamente pequena, até a presente data perdi poucos parentes, sou, no entanto, confessor da dor que acomete todos os viventes do planeta neste momento, qualquer que seja a prática religiosa, condição social ou econômica familiar, entendo plenamente a desesperada dor manifestada pelos parentes nos velórios e nos atos finalísticos nos cemitérios.

Melhor pensando, a idéia filosófica de morte, disto estou  convencido, não nasce com o homem, é tipicamente um conceito que vai sendo incorporado ao longo de sua existência. Que me lembre, até os meus 15 anos, eu não travei, nem de ouvir dizer, contato algum com ela, na minha escola ninguém morreu, na minha rua, igualmente não houve passamentos, não presenciei colega algum chorando em função disto, Afirmo categoricamente que poucos a conhecem até chegarem a esta idade.

A medida que passei dos vinte anos comecei a tomar conhecimento de sua, dela, existência, choro com uma namorada a morte daquele que em vida foi seu pai, recebo com minha mãe a noticia da última viagem de um tio querido que morava distante de nós, e sofro com ela esta dor. Testemunhei um atropelamento seguido de morte, de uma criança que alegremente tentava atravessar a avenida, que  ao tombar deixou coberto de livros e de sonhos o asfalto, plantando por consequência uma nuvem de chuva, nos olhos de todos, que impotentes assistiram tão triste cena.

Incrível perceber que agora, quando já passei dos 40 (quarenta) anos, esta coisa indesejável, imerecida, tentar  de mim se aproximar, tenta estabelecer dialogo, teima em me acompanhar para as festas e bebedeiras, senta no banco do carona quando estou dirigindo, parece um cão farejador, não descuida de sua vigilância permanente, mesmo a contra gosto percebo a sua presença, é verdade, finjo estar sozinho na esperança de que ao perceber que não lhe dou importância alguma, de mim se afaste.

Como disse acima, a idéia de morte para mim, foi diferente ao longo de minha existência. Num certo momento não a conhecia. Em outro ouvia falar de sua existência. Noutro tornou-se a contra-gosto, meu é lógico, minha  dama de companhia.Uma coisa começa a me inquietar, até mais que as outras próprias da natureza humana. Este desconforto vem da incerteza de como e de qual maneira se dará minha relação com a inditosa, Estará ela pensando, que depois dos 60(sessenta) anos, com certeza chegarei a eles, permitirei que ela monte no meu cangote!  Terá ela a pretensão de achar que permitirei que oriente os meus passos!  Pensará por acaso que trabalharei apenas para comprar remédios, pagar um plano de saúde ou as despesas com a arca mortuária! Entenderá por ventura que terá força suficiente para minar meu senso de sobrevivência e meu passado de bom lutador!  Isto só o tempo dirá.

Embora seja forçado a reconhecer, que até a presente data, ao menos que inexista qualquer tipo de registro, afora para os cristãos, JESUS CRITO, ninguém mais foi capas de vencê-la. Entretanto, considero com todas as forças e convicções a necessidade de contigo travar a mais cruel e duradoura de todas as batalhas, reafirmo, a mais profunda certeza de jamais e sob nenhum  pretexto  capitular. Portanto indesejada senhora, receba a minha sonora declaração de guerra, não tenho pressa para o início da batalha, saiba porem, não descansarei, montarei todas as barricadas possíveis, trabalho permanentemente aumentando meu arsenal  bélico, bazucas, fuzis, mísseis de curto e longo alcance, bombas de todos os calibres, enfim o que há de mais moderno. Tudo cuidadosamente guardado no alto da sabedoria na serra da esperança, onde estar cunhado,  em letras garrafais e idioma universal  TUDO É POSSÍVEL.

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CAPITAL POLÍTICO VERSUS CAPITAL FINANCEIRO EM 2010

18/08/2009 · Deixe um comentário

O ano que ora se desenrola antecede, no calendário eleitoral brasileiro, às chamadas eleições majoritárias, o que implica a escolha de novo presidente, novos governadores e senadores, e as eleições proporcionais que renovarão as bancadas de deputados federais e estaduais. A inteligência brasileira desdobra-se na análise de possíveis cenários os quais abrigarão esses eventos. Nenhum desconhece, nessas eleições, a importância da moeda nacional, qualquer que seja o tamanho do capital político do candidato, qualquer que seja o Estado da Federação.

É, então, nessa direção que caminha o presente artigo. Pretende-se contribuir para o debate. Assim, inicialmente, salta aos olhos, a condição do Maranhão como um dos estados mais pobres da Federação. Como corolário a vulnerabilidade dos setores populares, a esmagadora maioria do eleitorado.

Dois cenários projetam-se no debate. No primeiro, a possibilidade de uma eleição plebiscitária entre o grupo do ex-presidente Sarney e as oposições capitaneadas pelo Dr. Jackson Lago. No segundo, a possibilidade envolve o grupo Sarney, monoliticamente fechado, contra duas ou mais candidaturas do campo das oposições, o que arrastaria o desfecho das eleições para um

eventual segundo turno, quando, também, em tese, ter-se-ia um plebiscito.

A primeira grande inquietação é: quanto custa uma eleição no Estado do Maranhão? A de governador e de a todos os deputados estaduais, federais e senadores. Que tipo e qualidade de material de propaganda serão utilizados? Qual o envolvimento voluntário nesta campanha? Haverá ajuda para os candidatos proporcionais? Claro que para aqueles da mesma coligação. Qual o custo com marqueteiro? Será ele da terra ou de outro Estado? O candidato já tem alguma estrutura para ser utilizada na campanha, tipo estúdios, de áudio e vídeo, trios elétricos, carros de som, gráfica etc, etc, etc?

A segunda indagação contempla, sem dúvidas, o tamanho do capital político do candidato, considerando-se sua origem política, carreira sustentada na luta ou construída a partir da herança, sorte ou estripulia. Qual a idéia que a classe média tem dele a partir de sua conduta social? Qual a ligação dele com os movimentos sociais, os movimentos juvenis, as diversas correntes ou credos religiosos? Quais compromissos manteve ou mantém com os movimentos reivindicatórios do campo e da cidade, organizados em suas representações?

Esta análise, é claro, não é um simples cálculo matemático, as variáveis são incontáveis, algumas até presumíveis, outras nem tanto, mesmo para aqueles que se esmeram na precaução. Até para estes, fica difícil entendê-las.

No caso do Maranhão, o capital econômico é sobejamente favorável ao grupo Sarney, proprietário dos meios de produção, segundo a população, dos maiores – SARNEY SÓ NÃO E DONO DA FÁBRICA DE PIPOCA…SUQUINHO…E VASSOURAS (DITO POPULAR) – e mais significativos do Estado. Detentor dos veículos de comunicação, cerca de 90% deles. Dono de vasto capital financeiro, com enorme penetração quer no setor público quer no setor privado. Controlador de vastas porções de terras produtivas em todo o Estado ou especulativas, sobretudo na região dos lençóis maranhenses. Finalmente, senhor dos temores de grande parte da classe política, setor este mantido sob o jugo da dominação na base da chantagem e dos dossiês.

No entanto, o capital político lhe é desfavorável, mais, muito mais, que nas eleições passadas, quando o grupo sofreu a primeira derrota depois de 40 anos no poder, mesmo tendo a seu favor a grande mídia brasileira, expressiva parcela da inteligência nacional, estando, ainda, na época, distante de tantos e incontáveis escândalos.

Nas eleições de 2006, o grupo oligarca trombeteou aos quatro cantos do Estado que a máquina administrativa estadual tinha sido definitiva para a vitória das oposições no pleito. Tentou, desta forma, induzir a população ao sentimento de desigualdade, pura conversa para boi dormir.

Ora, se a máquina estadual estava hipoteticamente de um lado não era monolítica. Grande parte dos secretários conhecia o caminho da casa de Sarney. Nunca visitou a casa dos candidatos das oposições. Grande parte deles tinha ligações históricas com o grupo dominante. Obedecia, às vezes por medo, às vezes por conveniência, muito mais aos mandatários do grupo Sarney do que ao próprio governador José Reinaldo. Basta entender as brigas da então mulher do ex-governador, Alexandra, para se concordar que, no mínimo, a máquina estava dividida.

No plano nacional, se não todos, a grande maioria dos ocupantes dos cargos federais no Maranhão foi escolhida no gabinete senatorial. Mais que isso, ao lado da hoje governadora, estava o candidato à reeleição, e hoje presidente, Luís Inácio Lula da Silva, que, no Estado, atuou contra a orientação de seu partido, e, com ele, todo o seu governo.

Contra o grupo Sarney as oposições que, até onde se sabe, não possuem riqueza material alguma. Faltam-lhe as mais elementares condições para o inicio de uma campanha eleitoral. É um estado de pobreza franciscana.

Sobram-lhe, no entanto, ânimo, confiança e espírito de luta, ainda que, para amplos setores da oposição, a única experiência de poder, até agora experimentada, tenha deixado muitas e profundas feridas. Ainda assim, não se pode deixar de afirmar que o capital político das oposições é sobejamente superior, maior inclusive que nas eleições anteriores, e tem a soprar-lhe favoravelmente a vergonhosa cassação de um governador legitimamente eleito pela maioria dos maranhenses e a iminente derrubada no senado do CAPO DI TUTTI I CAPI da oligarquia.

Ânimo, confiança e espírito de luta para se contrapor à, por exemplo, vergonhosa fabricação de escândalos nos gabinetes da SECRETARIA DE SEGURANÇA, com a criação, inclusive, de uma divisão de combate aos crimes contra o erário público, tudo na tentativa, inútil, de intimidar e arrefecer o ânimo de lideranças umbilicalmente ligadas ao DR. JACKSON.

Esse fato não se sustenta abaixo do menor facho de inteligência. Mas é, sem sombra de dúvidas, cabal declaração de que o grupo Sarney já elegeu Jackson Lago como seu adversário nas eleições de 2010.

As eleições não são definidas pelas análises e prognósticos, por bolas de cristais, mandingas ou bruxarias, mas pela capacidade de trabalho da equipe, por sua disposição e unidade de propósitos, sua flexibilidade para reconhecer os erros e mudar a rota da campanha, pelo discurso claro e objetivo, e, sobretudo, pela justeza e sinceridade das propostas a serem apresentadas para a população.

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