Metropolização que bicho e este?

*Renato Dionísio

A semana que passou, a câmara de vereadores de São Luís, voltou a ocupar-se de tema  recorrente naquele sodalício.- A metropolização da grande ilha-, ou seja, a junção, através de convênios e leis específicas, dos municípios de São Luis , São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa, Rosário, Bacabeira e Alcântara, cujo objetivo é a construção de praticas políticas para o equacionamento de problemas comuns.

No limiar do século vinte, o contingente habitacional estabelecido nas cidades não passava de 10% por cento dos viventes existentes, hoje mais da metade da população do globo já habitam as áreas urbanas e as projeções indicam que ao final deste século, cerca de 75, por cento, da população estará instalada nas cidades, grandes ou pequenas. Se o século 19 foi considerado o século dos impérios o vinte das nações, este atual será indubitavelmente das cidades.

Segundo o wikipêdia, o grande Império Romano cujos limites varriam toda Europa, mediterrâneo, Ásia e África, tinha em torno de 56 milhões de súditos, por volta do ano 25 antes de cristo. Como não considerar um desafio tratar a grande São Paulo-região metropolitana-, com cerca de 20 milhões e a do Rio de janeiro com 12 milhões de habitantes.

Como as pessoas não são fixas, e para o atendimento de suas necessidades circulam entre as unidades administrativas, assim, é possível alguém morar em outro municio distinto de seu local de trabalho e produção e buscar lazer e formação em outro diferente dos anteriores. Como encarar estas demandas e resolvê-las satisfatoriamente, como diminuir o custo desta intervenção, eis o dilema a ser solucionado.

Para que mesmo serve esta metropolização? A população a ser envolvida não mostra interesse pelo tema por qual razão? Existe unidade de pensamento entre os proponentes do debate e da ação? Quais projetos estão pensados para a justificação desta mudança? Mesmo na condição de neófito me sinto pendente a dizer que estas equações precisam ser enfrentadas para que o debate ganhe as ruas e a importância que merece. Fora destes parâmetros é continuar debatendo com a indiferença e desconfiança do eleitor.

Penso que os proponentes deste debate deveriam, claro usando às estruturas municipais, produzir um feixe de projetos exequíveis a curto, médio e longo prazo e oferecerem como elementos de convencimento deste fazer. Entendo que os êxitos alcançados, se é que eles existem, nas metropolizações já em andamento deveriam chegar aos mortais deste quadrante. Afinal, desta metropolização contam maravilhas. Provar, entretanto, é outros quinhentos.

Dizem que no Brasil todo mundo é um técnico de futebol, com o advento das novas mídias sociais o brasileiro além de técnico virou palpiteiro e autoridade em quase tudo. Apenas na condição de palpiteiro, me arvoro a apontar, e por que não? O que a meu pequeno juízo possa ser buscado e/ou alcançado em qualquer projeto de metropolização..

A primeira e mais significativa mudança a ser operada é a substituição da cultura da falta de planejamento. É imperiosa a construção de uma agenda coletiva para ser operacionalizada no amanhã recente ou remoto. Esta união somente se justifica se for condicionante para a diminuição dos custos de investimentos e administração. Precisamos enxergar vantagens neste projeto. E imperioso demonstrar que este agir contribui para a melhoria da vida das populações afetadas.

Já mais avançado se encontra o debate da criação das chamadas cidades inteligentes, creio que a metropolização é parte deste debate na medida de que o viés que lhe dá sustentação passa inexoravelmente pelo equacionamento de seus custos administrativos, pela racionalidade de seus investimentos em infraestrutura e pela racionalidade dos serviços a disposição do jurisdicionado.

As novas tecnologias estão a nos ensinar, lembro-me de meu mecânico quando lhe reclamei de uma luz acesa no painel, disse-me ele: você tem que entender que os carros ficaram inteligentes, as geladeiras também, os sensores de luz, semáforos, câmeras filmadoras e fotográficas, enfim, vivemos o século vinte e um e temos muito que aprender, basta nossa inteligência não atrapalhar.

Poeta, compositor e produtor cultural

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